Júpiter e Netuno em Peixes

A direção que aponta para o leste da alma



Inspirada por: Júpiter em conjunção a Netuno em Peixes

No dia 12 de abril, Júpiter e Netuno formaram uma Grande Conjunção no signo de Peixes. O regente tradicional (Júpiter) e o regente moderno (Netuno) deste signo finalmente se encontraram, trazendo uma mensagem filosófica, artística e espiritual para nós aqui na Terra.

Antes de tudo, é sempre bom lembrar que os planetas não mandam em nada aqui embaixo. As suas disposições e conexões são reflexos de nós como sociedade e como indivíduo. Portanto, todo e qualquer encontro não tem o poder de determinar, mas sim de revelar algo que já está em nós. Não há o lado de fora, pois tudo acontece dentro. E é exatamente por isso que cada pessoa tem uma forma singular de sentir e expressar determinadas energias.


Esse grande encontro já vem sendo falado há tempos por astrólogos e espiritualistas. É uma união poderosa em que as duas forças que reinam nas águas piscianas dividem o mesmo trono, a mesma identidade. Tendo Júpiter representando o “passado”, o antigo rei, sem perder sua majestade e tradição; e Netuno representando o “futuro”, o novo rei, agregando mais características para as lentes do mundo moderno.


Lidar com a energia de Peixes é aceitar o não entendimento, é se render ao que não se conhece, é se entregar ao que não se controla. Com isso, é normal não se sentir normal. É comum sentir certa individualidade ao contactar o sutil. Cada conexão é única.


Aos meus olhos, ter Netuno como co-regente de Peixes traz uma evolução à compreensão desse signo, diante da realidade em que estamos como sociedade. Júpiter é aquele que crê, mas Netuno vai além disso, ele É.


Mas para SER, antes de tudo, é preciso acreditar.


Antes de entendermos mais sobre quem somos em alma e espírito (Netuno), estudamos, exploramos, desbravamos (Júpiter). Buscamos saber até finalmente perceber que não precisa buscar o que já está aqui. O “fora” é uma ilusão na qual surfamos numa grande onda para dentro. Tudo nos leva ao interior. Júpiter nos leva a Netuno, Netuno nos leva a “Tudo o Que Há”.


Quando reflito a respeito dessa conjunção me vem a seguinte frase: “A direção que aponta para a alma”. Júpiter é responsável pela expansão dos nossos horizontes internos e externos. É o guia que abre caminhos e proporciona novas estradas. É o abundante do possível. Netuno é o arquétipo da alma, expressado pelo poder e sutileza das águas. É o mar interior, oras turbulento, oras tranquilo.


Essa conjunção é uma bússola que direciona para o leste de nossas almas, onde o Eu (Sol) nasce após uma noite escura, para clarear nossos sonhos de criança até então escondidos pelas sombras do insconsciente e pelas escolhas céticas da mente. Júpiter dá a oportunidade para Netuno entrar, fazendo da sua fome por conhecer, um lar para Netuno hospedar. Netuno dá a sincronicidade para Júpiter fluir, fazendo da sua intuição o caminho para Júpiter canalizar.


A sensação de estar perdido num vazio sem direções é o paradoxo dessa interpretação. Muitas vezes é preciso olhar pro nada para se enxergar tudo. Soltar para deixar vir. O melhor caminho, em alguns momentos, é estar sem rumo, pois não saber aonde ir não é o fim da estrada, mas o começo dela. Esse não é um ambiente de apego e controle, mas de espera e aceitação. Através da dor de “Não Ser” encontramos o amor por Ser.


Nas águas que compõem nossas lágrimas vivem tanto o choro da tristeza como o da alegria. Parece difícil abrir mão do orgulho de sempre saber o que fazer, pois ter a vida planejada e esquematizada traz conforto e segurança, como também controle e apego. Só que não se voa sem tirar os pés da terra. A energia pisciana nos ensina a arriscar no que fisicamente não se pisa, e mesmo assim confiar que haverá um chão.


Peixes é um ambiente que vai além do físico, da matéria. Para entrar, é preciso se despir. E estar nu da vida é como pisar em nuvens: por mais que pareça leve, falta estabilidade. Esse signo é representado pelos pés, nossas asas no chão. Essa representação é uma mensagem de equilíbrio para lembrar que é preciso se aterrar para sonhar, pois, ao contrário, a inocência e ingenuidade da criança se desmorona num abismo de idealismo e ilusão.


Um pássaro não esquece como se aterrissa quando aprende a voar, não invalida suas necessidades básicas na terra. Um pássaro honra suas bases, reconhece de onde vem. Por mais horizontes que desbrave, ele nunca esquece onde nasceu.


Uma tartaruga marinha sempre retorna à praia em que nasceu para pôr ovos, mesmo que depois de anos nadando inúmeros quilômetros e rotas, ela retorna para seu primeiro lugar de proteção, amparo, desafios e transformação a fim de criar e gerar novas vidas. 


Mesmo que viajemos para o nosso mundo espiritual não devemos esquecer o caminho pra onde nossos pés tocaram pela primeira vez. A base é nossa fortaleza. É lá que se percebe que você nasce de si mesmo.


Em Peixes estamos no útero, ainda não nascemos, ou quem sabe, já fomos embora. A conjunção faz retornar para antes do que seria, embora já fosse. Sempre fomos mesmo sem entender quem éramos. E assim como no útero, hoje nos pegamos no vazio achando não saber o que sempre se soube. É como estar prestes a nascer sem se sentir pronto.


Estamos sempre prontos.


Um ciclo de 166 anos se reinicia, encerrando o que em 1846 começou. Uma página em branco, novas palavras a serem escritas e expressas. Não é à toa que escolhi esse momento para iniciar o blog:

Em um momento de vazio, seja um alquimista. 


Transforme uma folha em branco em uma poderosa e atemporal criação.

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