Lua Cheia em Libra
O outro sempre é um canal para perceber a si mesmo. A importância da relação se dá devido a uma constante auto percepção através do que sente, vê e reage ao que se assiste. É como assistir a si mesmo por uma uma tela de cinema em que são exibidos seus medos, suas vontades, suas crenças, seus talentos, suas preferências ou não preferências, seus traumas, suas dores, suas alegrias e seus desejos mais profundos. O outro é um caminho para se entender.
Não é à toa que Libra é complemento de Áries, análogo à casa 7 e oposto-complementar da casa 1. Libra é o espelho do que a gente é, vibra e precisa. É a magia da autocompreensão pelo olhar do telespectador. É a beleza de olhar para o espelho (o outro) e enxergar o amor por si mesmo. Uma verdadeira arte de unir e se aliar à projeção de seus grandes ou pequenos reflexos.
Uma Lua Cheia em Libra expressa o equilíbrio do equilíbrio. Isso porque temos Sol exatamente oposto à Lua, formando uma perfeita balança da noite e do dia, do Yin e do Yang (base da compreensão sobre as polaridades da realidade física). Além disso, se expressa também na energia do primeiro eixo do zodíaco, aquele que dá a voz e a mensagem de toda a jornada e composição. A motivação inicial (Áries) é a harmonia (Libra). E isso precisa se estender por todo e qualquer mapa (por toda a vida), independente de desafios e “facilidades”.
Viemos para compreender mais sobre como encontrar um ponto neutro capaz de ensinar e entender o lugar em comum.
Toda oposição leva a um mesmo lugar. Todos, no fundo, querem a mesma coisa, através de formas e pontos de vistas diferentes. Essa Lua Cheia em Libra traz clareza às polaridades, mostrando que quanto mais nos achamos opostos, mais iguais somos. A oposição é complementar. É um quebra-cabeça que se encaixa a fim de compreender que ambas as peças fazem parte de um mesmo Todo, de um mesmo objetivo, de um mesmo propósito.
Se somos reflexos uns dos outros, como poderíamos ter diferentes vontades? De maneira profunda e geral, queremos sempre o mesmo.
Por mais que incomode ou doa algum tipo de relação, o propósito não é sofrer, mas nos levar a um lugar de menor resistência. O desconforto nos encaminha automaticamente a uma percepção e vontade de se alinhar com o que mais se adequa ao nosso caminho e escolha de experienciar.
Se relacionar é uma forma de ver mais claramente o que tenta não enxergar ao apenas olhar para si mesmo. As relações são filtradas pelo nosso poder de interpretar uma mesma coisa em base do que sentimos, vivemos e escolhemos crer. Toda e qualquer visão sobre algo é antes passado pelos olhos das crenças que escolhemos. Por isso, o arquétipo de Sagitário estimula o de Libra e vice-versa. Ao nos relacionarmos, percebemos mais claramente nossas crenças. Ao olharmos para nossas crenças, entendemos melhor a importância das relações (elas são reflexos daquilo que somos, da forma como nos tratamos).
É sempre importante enxergar os ciclos na Astrologia. Uma Lua Cheia em Libra colhe o que se foi plantado numa Lua Nova em Libra. O que semeamos em setembro que estamos colhendo agora?
Libra vai muito além da sua relação com o outro. No fim de tudo, a resposta é sobre si. É sobre aprender não somente com relações que estimulam um mesmo ponto de vista, mas também com aquelas que nos instigam a pensar além do que achamos ser ideal. Nada é por acaso. Não invalidar qualquer incômodo é a semente que faz crescer o entendimento sobre o Eu. A beleza está aí, em simplesmente valorizar o que vai além do que acha ser belo.
Essa é a arte de Libra. Relação é muito mais do que concordar, é também aceitar concordar em discordar.

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